sábado, 6 de março de 2010

Descobrindo as diferenças para iniciar a orientação e apoio ao meu filho


Vivia querendo entender qual a diferença entre um transexual e um travesti? Após minhas buscas incansáveis em descobrir se haviam diferenças, com o apoio constante da amiga e parceira Edith Modesto do GPH em seus livros, encontrei-as, e passei a entender que são diferentes estas questões de gêneros, passei saber que além do transexual, do travesti existe o transgênero.

Para ser muito sincera, apesar de me sentir melhor quanto ao conhecimento que havia descoberto sobre as diferenças enfocadas, passava a ter “certeza” que meu filho não era homossexual, um gay comum se assim posso falar, e que as dificuldades maiores ainda estavam por vir.

Para piorar, quando se tem conhecimento de algo é bom, mas ao mesmo tempo se sofre dobrado, pois é preciso enfrentar a situação porque se tem a ciência de que é algo mais forte que você, que seu filho, que não é uma escolha, uma opção como a maioria entende ser e julga.

Neste momento de busca para conhecer o que se apresenta na sua frente, cabe uma opção quanto à questão, você aceita o desafio e ganha com isso seu filho e se torna aliada na batalha de ambos, ou não aceita e perde seu filho para vida e sua paz. Optei por ser aliada de meu filho. Com todo o sofrimento, o pavor do desconhecido, etc e tals.

Dói muito você ouvir os comentários que são comuns as pessoas que desconhecem e ou não passam a experiência que vivo, pois a sociedade é massacrante nestas questões e se ouve sempre assim, de pessoas despreparadas, mesmo de algumas mães de homossexuais comuns, que elas agradecem que seus filhos nem pareçam gays, e os pais então nem se fale, agradecem pelos seus filhos gays serem iguais aos heterossexuais no que diz respeito à apresentação, por terem as mesmas aparências que seus irmãos heterossexuais muitas vezes, e ainda afirmam que se eles fossem uns “bichinhas” como é dito no próprio meio, algumas destas mães e ou pais e estas pessoas sem preparo dizem que o amariam igualmente, mas que se preocupariam, porém se fossem travestis Deus que as livrassem!

As pessoas se esquecem que uma vez vivos na terra sujeitos estamos a quaisquer que sejam os enfrentamentos e não estamos livres de nada, nem nós e ninguém de todas as gerações de nossas árvores genealógicas.

Quero plantar aqui uma sementinha, em prol de meu filho, para que reflita para todos os transexuais, do planeta que são desrespeitados, e para todos os excluídos em qualquer aspecto e ou categoria, porque cada um é cada um, todos são o que são com suas diferenças sim, mas com sangue na veia, com alma, com coração pulsando, cada um com suas heranças, suas condições, suas questões e todos são cidadãos sob mando da mesma Constituição Espiritual e Moral.

Gostei de saber sobre as diferenças e estou apreendendo com elas e aplicando para saber distinguir todas as metamorfoses que estão ocorrendo aqui em casa com minha vivência, e desejo dividir com os meus visitantes do blog, acho que sempre é bom propagarmos os esclarecimentos de questões tão enrustidas como as que aqui tratamos que geram cada vez mais exclusão de pessoas, as desgarrando de suas identidades verdadeiras, as prejudicando muito para se integrarem e sentirem-se seguras e felizes.

Segundo um dos livros da Edith Modesto que li, de acordo com as explicações do psicólogo Klecius Borges, que também orienta as mães do GPH, acredita-se que o “gênero masculino e o feminino carreguem elementos profundos, tanto biológicos como psíquicos, específicos, apesar das diferenças culturais”.

“Identidade de gênero, então, é o sentimento de ser do gênero masculino ou feminino, independentemente do sexo biológico com que a pessoa nasceu. Isso quer dizer que não basta alguém ter nascido com vagina para se sentir mulher, nem com um pênis para se sentir homem.

Transexuais: Pessoas que vão além do sexo biológico com que nasceu e fazem dominar o sexo que sentem ter. São aqueles que não se identificam com os órgãos genitais de nascença. Um exemplo de transexual: Roberta Close. Estas pessoas almejam que seu físico se modifique de acordo com o que elas sentem-se ser, em geral desejam a operação da mudança de sexo e se tratam com psicólogos.

Travestis: Pessoas que vão além do sexo biológico com que nasceram, mas não o desprezam totalmente. Um exemplo de travesti: Rogéria. Estas pessoas não desejam grandes mudanças em seu físico, porque de alguma maneira se sentem homem e mulher simultaneamente, o uso de algumas roupas femininas e a exibição de alguns trejeitos efeminados já é o suficiente para elas, e não objetivam operação de modificação de sexo.

Transgêneros: Pessoas que transitam entre a aparência masculina e a feminina ou vice-versa. Conhecidas como drag queens, drag kings, transformistas, cross-dressers. Um exemplo de transgênero: Léo Áquila. Estas pessoas são aquelas que se travestem para shows, para apresentações artísticas.

Transexuais, travestis, transgêneros, são termos que se aplicam a três categorias diferentes. Considera-se conforme as orientações que obtive que essa divisão é recente.

Esclarecimento: As pessoas costumam confundir ser transexual com nascer hermafrodita. Assim bem explica a Edith Modesto em seu livro: “O mais comum é as pessoas nascerem com órgãos genitais característicos de seu sexo. Mas há casos bem raros de órgãos genitais de ambos os sexos, masculino e feminino, estarem no corpo de uma mesma pessoa, desde seu nascimento. Esses são os hermafroditas ou intersexos”.

“Portanto, quando nasce um bebe hermafrodita, é necessário esperar ele crescer para se averiguar qual será sua identidade de gênero (se ele se sente homem ou mulher), e qual será sua orientação sexual (homo, bi ou heterossexual), como ocorre para todos nós, que em regra geral, começa a se mostrar geralmente, na puberdade”. Uma confusão que fazia demais quando estava em busca de entender o que meu filho vinha passando e como eu deveria tratar de todos estes nomes, categorias e demais, era em querer encaixar se estas três categorias que falei acima (transexuais, travestis e transgêneros) eram homossexuais?

Mais uma vez a Edith Modesto me ajudou e muito e além da explicação ao vivo que ela me passou em seu livro encontrei de forma bem clara e didática: “Transexuais, travestis e transgêneros não serão necessariamente homossexuais, podem ser heterossexuais, homossexuais ou bissexuais, dependendo de sua orientação. Isto é, serão heterossexuais quando se sentirem atraídas por pessoas do gênero oposto ao que sentem ter; serão homossexuais quando se sentirem atraídas por pessoas do mesmo gênero que sentem ter.

Posso dizer que “tudo vale a pena quando a alma não é pequena”.

A.M.O.M.

Um comentário:

  1. • às 04 março 2010 em 03:53 - Carla Machado - Email
    Carla Machado postou em meu blog antigo e transcrevi seu carinhoso e incentivador comentário feito neste mesmo artigo: Ana e Edith.. parabéns pela tentativa em decifrar algo tão indecifrável... nossa diversidade identitária!! beijos e Parabéns!!!!!!!!!!!

    ResponderExcluir

Grata por seu comentário. É um grande incentivo.