
Quando se fala em exclusão a associação imediata é com minoria de pessoas em se tratando de seres humanos, conecta-se também com o desejo de ser aceito e incluído, como disse no primeiro artigo, tudo isso, independentemente do tipo da exclusão, da idade, da cor, da classe, o ato de excluir é um só, é a rejeição, é o impedimento, a recusa de um indivíduo no sentido mais profundo da questão tratada.
O pior de tudo é que nunca se está pronto para incluir nada e ninguém que fuja do padrão do comum, do aceito em regra geral, por mais que pensemos que sim, e menos ainda, se está preparado para lidar com diversidade quando aparece dentro de casa.
Na fase que hoje me encontro, após três anos de vivência com diversidade evidenciada, exclusão e demais, dentro de casa, busquei entender desde o princípio, talvez pela sorte que disse que carrego comigo, e a Proteção Divina que me assiste o tempo todo, decidindo lançar mão buscando entendimentos, apoio intelectual para formar uma base para encarar a missão que já ocorria, mas que estava na verdade ainda por intensificar, uma aparente homossexualidade migrando para o transexualismo, se isso é possível, ou se na verdade no meu caso toda situação ainda estava obscura e começava a clarear?!.
Assim, comecei procurar entender e montar um acervo próprio com algumas explicações que encontrei e ainda encontro, através de livros, revistas, depoimentos, a querida ONG GPH Grupo de Pais de Homossexuais que eu já vinha participando, a endocrinologista, a psicóloga, a psiquiatra, vivência presencial, enfim todos os meios que estavam ao meu alcance.
Foi falado em minha experiência, sobre disforia de gênero. De forma didática entendi que disforia de gênero é o sentimento de infelicidade ou tristeza quanto ao próprio sexo.
Segundo a tradução de um dos livros de Gerald Ramsey, o Diagnostic and statisc manual (Manual de diagnósticos e estatísticas, IV 1994) da Associação Americana de Psiquiatria apresenta vários componentes do que chama “distúrbio de identidade de gênero”, como exemplo: “Uma forte e persistente identificação cruzada de gêneros, ou seja, o desejo de ser, ou a insistência em que se é do outro sexo...”; “Não apenas... um desejo por qualquer suposta vantagem cultural em ser o outro sexo (mas) evidência de um persistente desconforto com o sexo que lhe foi atribuído, ou um sentido de impropriedade do papel sexual daquele gênero”; e assim por diante...
Lancei mão também em procurar casos iguais, parecidos como o que tinha que enfrentar, quem procura acha, e quando se encontra parece um alívio ao menos por alguns minutos, dando a impressão de organização dos arquivos de sua cabeça que ainda não entende que é possível você ter que passar por toda a experiência a priori amarga.
Quando se lê algo claro e organizado sobre um tema que se desconhece por inteiro, não se tem formação de opinião e é assustador para lidar, porque atingi minoria, colabora para a ficha começar a cair, como um dos muitos depoimentos que já li, mexeu comigo e se encaixou com minha missão e com o que estava vivenciando:
Depoimento do Joãozinho (Extraído do Livro de Gerald Ramsey): ...“Aos treze anos, Joãozinho está deprimido. Toda sua vida ele se sentiu como uma garota. Quando era menor, divertia-se com bonecas e outros brinquedos tradicionais de meninas. Quando brincava de casinha, queria ser a “mamãe”. Joãozinho ficou especialmente perturbado quando cresceram os pêlos à volta do pênis que ele nuca chegou a aceitar. Invejava as garotas cujos seios ganhavam volume, invejava os seus sutiãs e outras peças de roupa.Queria andar de vestido, enrolar os cabelo e continuar a brincar de casinha(o que fez, secreta e o mais frequentemente possível). Embora Joãzinho tivesse fantasias sobre ser uma garota, sentia-se culpado.Para agradar seu pai, tentava “ser um homem”, mas nunca conseguia ser convincente. Durante o primeiro grau, Joãzinho caiu em uma depressão mais profunda e começou a pensar em se matar. Planejou por um vestido pregueado e saltar de uma ponte alta próxima de sua casa.Já que não conseguia se adaptar, por que continuar vivendo?As pessoas ficariam melhor se ele simplesmente desaparecesse.Joãozinho sofre de disforia de gênero. Uma melhor avaliação provavelmente irá mostrar que ele é um transexual”...
Como falei, parece que, quando lemos ou ouvimos, histórias, experiências como as que temos que enfrentar, parece nos dar um fôlego para repaginarmos nosso manual de como podemos lidar, construir um novo formato de vida com a nova situação que às vezes cai em nosso caminho como um pára-quedas desnorteado.
A.M.O.M.
O pior de tudo é que nunca se está pronto para incluir nada e ninguém que fuja do padrão do comum, do aceito em regra geral, por mais que pensemos que sim, e menos ainda, se está preparado para lidar com diversidade quando aparece dentro de casa.
Na fase que hoje me encontro, após três anos de vivência com diversidade evidenciada, exclusão e demais, dentro de casa, busquei entender desde o princípio, talvez pela sorte que disse que carrego comigo, e a Proteção Divina que me assiste o tempo todo, decidindo lançar mão buscando entendimentos, apoio intelectual para formar uma base para encarar a missão que já ocorria, mas que estava na verdade ainda por intensificar, uma aparente homossexualidade migrando para o transexualismo, se isso é possível, ou se na verdade no meu caso toda situação ainda estava obscura e começava a clarear?!.
Assim, comecei procurar entender e montar um acervo próprio com algumas explicações que encontrei e ainda encontro, através de livros, revistas, depoimentos, a querida ONG GPH Grupo de Pais de Homossexuais que eu já vinha participando, a endocrinologista, a psicóloga, a psiquiatra, vivência presencial, enfim todos os meios que estavam ao meu alcance.
Foi falado em minha experiência, sobre disforia de gênero. De forma didática entendi que disforia de gênero é o sentimento de infelicidade ou tristeza quanto ao próprio sexo.
Segundo a tradução de um dos livros de Gerald Ramsey, o Diagnostic and statisc manual (Manual de diagnósticos e estatísticas, IV 1994) da Associação Americana de Psiquiatria apresenta vários componentes do que chama “distúrbio de identidade de gênero”, como exemplo: “Uma forte e persistente identificação cruzada de gêneros, ou seja, o desejo de ser, ou a insistência em que se é do outro sexo...”; “Não apenas... um desejo por qualquer suposta vantagem cultural em ser o outro sexo (mas) evidência de um persistente desconforto com o sexo que lhe foi atribuído, ou um sentido de impropriedade do papel sexual daquele gênero”; e assim por diante...
Lancei mão também em procurar casos iguais, parecidos como o que tinha que enfrentar, quem procura acha, e quando se encontra parece um alívio ao menos por alguns minutos, dando a impressão de organização dos arquivos de sua cabeça que ainda não entende que é possível você ter que passar por toda a experiência a priori amarga.
Quando se lê algo claro e organizado sobre um tema que se desconhece por inteiro, não se tem formação de opinião e é assustador para lidar, porque atingi minoria, colabora para a ficha começar a cair, como um dos muitos depoimentos que já li, mexeu comigo e se encaixou com minha missão e com o que estava vivenciando:
Depoimento do Joãozinho (Extraído do Livro de Gerald Ramsey): ...“Aos treze anos, Joãozinho está deprimido. Toda sua vida ele se sentiu como uma garota. Quando era menor, divertia-se com bonecas e outros brinquedos tradicionais de meninas. Quando brincava de casinha, queria ser a “mamãe”. Joãozinho ficou especialmente perturbado quando cresceram os pêlos à volta do pênis que ele nuca chegou a aceitar. Invejava as garotas cujos seios ganhavam volume, invejava os seus sutiãs e outras peças de roupa.Queria andar de vestido, enrolar os cabelo e continuar a brincar de casinha(o que fez, secreta e o mais frequentemente possível). Embora Joãzinho tivesse fantasias sobre ser uma garota, sentia-se culpado.Para agradar seu pai, tentava “ser um homem”, mas nunca conseguia ser convincente. Durante o primeiro grau, Joãzinho caiu em uma depressão mais profunda e começou a pensar em se matar. Planejou por um vestido pregueado e saltar de uma ponte alta próxima de sua casa.Já que não conseguia se adaptar, por que continuar vivendo?As pessoas ficariam melhor se ele simplesmente desaparecesse.Joãozinho sofre de disforia de gênero. Uma melhor avaliação provavelmente irá mostrar que ele é um transexual”...
Como falei, parece que, quando lemos ou ouvimos, histórias, experiências como as que temos que enfrentar, parece nos dar um fôlego para repaginarmos nosso manual de como podemos lidar, construir um novo formato de vida com a nova situação que às vezes cai em nosso caminho como um pára-quedas desnorteado.
A.M.O.M.



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