quarta-feira, 10 de março de 2010

Inclusão e Exclusão: utopia, retórica e prática


Cabe ressaltar que este “post” foi escrito a 04 mãos, se faz mencionar que por duas mãos de minha madrinha V.O.D., a qual acompanha o blog e a causa de perto, com o conhecimento e bagagem na área da educação e demais, ampliou juntamente com minhas mãos o tema tratado no artigo anterior e no que seguirá logo abaixo em “Discursos Legitimadores”. Agradeço abertamente e de todo coração a participação e colaboração nesta investidura.

A.M.O.M. delimita e aborda nesta postagem uma gama de problemas singularmente atuais e relevantes sobre a exclusão da escola aos 15 anos de idade. Sob o aspecto legal, há amparo para oferta de vagas para alunos no sistema de ensino do Estado de São Paulo que apresente pessoas que apresentam significativas diferenças físicas, sensoriais ou intelectuais decorrentes de fatores inatos ou adquiridos, de caráter temporário ou permanente e que, em interação, dinâmica, fatores, sócio - ambientais, resultam em necessidades muito diferenciadas da maioria das pessoas.


Nesse contexto, cabe lembrar a legislação brasileira (Constituição de 1988, Estatuto da Criança e do Adolescente, Art. 54, alínea III promulgado em 1990, e Lei n.º 9.394/96 que estabelece as Diretrizes e Bases da Educação Nacional) posiciona-se favoravelmente ao atendimento dos alunos como oportunidade de melhorar a desigualdade social e o desenvolvimento do cidadão.

Entende-se hoje, dentro de uma perspectiva de educação inclusiva, que os conhecimentos, habilidades e valores a serem alcançados pelos alunos com diferenças físicas devam ser integrados nas classes comuns onde as práticas educativas devem ser as mesmas propostos para os seus colegas, variando, todavia o apoio que cada aluno deve receber em função de suas peculiaridades e os critérios de aquisição que forem mais convenientes para serem considerados nos processos de avaliação educacional. Todos estes aspectos devem constar da proposta pedagógica de cada escola.

Os alunos que apresentarem condutas típicas serão avaliados em função de seus níveis de desenvolvimento geral e pessoal, considerados os conteúdos curriculares mínimos e, os níveis de competência social por eles alcançados.

Nesse processo, uma estrita relação escola-família é fundamental.

Escolas são locais onde a regra prega igualdade, educação, cultura, amparo, disciplina e união. A regra de ouro diz A.M.O.M., é tirar vantagens das diferenças e ampliar positivamente as experiências de todos os alunos, dentro do princípio de educar na diversidade.

Gimeno Sacristán( 2002)um estudioso contemporâneo, desenvolve uma análise sobre diversidades mediante quatro grupos de problemas inter relacionados :

a. ) de que diferença falamos ? (dilemas éticos e práticos implicados);
b. ) as diferenças entre indivíduos como eixo?
c. ) os discursos legitimadores; e
d. ) algumas práticas possíveis(estratégias e recursos para buscar soluções a distintos tipos de diferenças)

O autor fala de uma educação progressista para evitar que a diferenciação reproduza ou leve a desigualdade ou discriminação.

Nesse sentido, a riqueza da abordagem de A.M.O.M. ,assim como a amplitude e relevância dos problemas e aspectos vivenciados no campo de “diversidade” sobre práticas seletivas e excludentes tão características da escola brasileira, serve de interesse para pessoas que intervêm na educação: docentes, educadores, pais de família, investigadores, funcionários e legisladores.

UM PROBLEMA DO SÉCULO XXI

De que diferença, falamos?

Apesar de muito dolorida a exclusão de uma pessoa que amamos, entendi e ainda entendo as dificuldades que as escolas ditas tradicionais teriam e tem que passar para inclusão de um transexual, de uma pessoa com alguma diferença ou diversidade, porém, é possível, e é necessário que isso ocorra, para o bem do planeta, para o real desenvolvimento da vida, para a evolução humana e a aplicação real e eficaz de nossa Constituição Federal. Esses assuntos de diferenças, diversidades sejam quais forem, podem ser introduzidos de formas lúdicas desde a pré-escola, para quando lá na frente o (a) aluno (a) chegar estar capacitado (a) para a aceitação de um (a) colega que tenha alguma diferença, que traga uma carga diversa da sua, enfrentando de frente e com espírito limpo e pronto para colaborar para um desenvolvimento melhor, isso tudo refletiria num contexto global para uma vida mais ampla e inteligente, menos preconceituosa. (Trecho do artigo de A.M.O.M. – Exclusão da escola aos 15 anos de idade).

Os discursos legitimadores

Como findei meu artigo de ontem, contaria a quantas andam a situação escolar em 2010. Para tornar ainda mais claro o objetivo da construção do meu blog, passarei daqui para frente em meus “posts” a identificar meu filho como L.M.R., para ficar cristalino que a causa é para uma ação e reação ampla, não pessoal ou egoísta. Almejo que este espaço num universo tão grande, colabore com todos os tipos de exclusão como tenho dito, esclarecendo que não é um blog para reconhecimento pessoal de um heroísmo que não existe, e sim um lugar onde se possa encontrar apoio através da leitura, onde se encontre experiências, e algumas saídas e ou soluções para cada tipo de questão, pois com toda certeza a chave da evolução, da organização e do progresso é uma só, e se chama Boa Vontade. A.M.O.M.

Exclusão da escola aos 16 anos de idade

Na mesma esteira do outro post, após praticamente 06 meses sem estudar, iniciava a saga escolar de 2010 para reintegração de L.M.R. aos quadros do ensino. Teria que cursar novamente o primeiro ano do Ensino Médio, antigo primeiro colegial do segundo grau.

Posso dizer que tudo foi igual como narrado anteriormente, questões de dúvidas, angústias e demais. Como a ida para Cidade maior lá na Zona Sul de São Paulo, não foi bem sucedida, ao contrário, retornamos para nossa Cidade, a qual de uma forma ou de outra, estávamos mais protegidos e perto de pessoas que nos davam amparo ou ao menos estavam juntas conosco. Mas aquelas questões contadas no artigo passado, sobre a nossa Cidade por um anglo ser provinciana, iriam pesar para a escolha da nova escola, além das outras já debatidas. E isso ocorreu, até chegarmos num senso comum familiar para nos encorajarmos em procurar a escola que, havíamos por bem entendido como a melhor por várias razões. Claro que tive que tomar as rédeas, fui lá, reiniciei todo o processo, de telefonar, marcar com a direção pedagógica e tudo mais. Meu entusiasmo foi grande pela filosofia do método que é usado na escola escolhida:

“...se propõe a formar indivíduos conscientes, capazes de, utilizando-se plenamente de sua capacidade intelectual e de liderança, dimensionar e redimensionar seus conhecimentos e contribuir para o bem comum, através de sua participação critica, criativa e ética no sentido da procura dinâmica de construção e reconstrução de si mesmos, do meio e das relações homem-meio, orientados pelos princípios do respeito humano...”.

Diante deste embasamento filosófico e acreditando que L.M.R. é um individuo capaz, acima de qualquer suspeita, não pensei que mais uma vez seria excluído. Mas o Lulu Santos tem razão: ... “assim caminha a humanidade, com passos de formiga e sem vontade...”, claro que sem generalizar, mas neste aspecto ainda as tartarugas estão à frente.

Porém, de sobremesa, recebi, além de todas as alegações idênticas dos motivos pelos quais a escola não o aceitaria a inclusão de L.M.R., um recado pelo pai de L.M.R. numa das idas dele para entrevista também lá na escola almejada, para que eu me tratasse com um psicólogo, pois a coordenação da escola entendia que a família, logo eu, que lido diretamente com o assunto, estávamos sendo permissivos diante da questão, e por isso L.M.R., estar assumido conforme estava. Ainda sugeriram um supletivo para L.M.R., que no caso em tela seria melhor.

Edith Modesto, cita em seu livro (Mãe sempre sabe?), num capítulo muito interessante que trata sobre a homossexualidade ser uma opção ou uma escolha:

... “As pessoas não escolhem se querem ser gays ou heterossexuais. Quem iria querer viver como minoria em um país ainda tão preconceituoso como o nosso? E essa minha hipótese foi confirmada enfaticamente por dezenas e dezenas de depoimentos de homens e mulheres homossexuais de todas as idades com quem conversei...”. (Em seu livro tem estes depoimentos).

Sob a ótica do autor do livro Transexuais perguntas e repostas, Gerald Ramsey avalizada pela psicóloga, Marlene Inácio (psicóloga clínica responsável pelo atendimento a transexuais no Hospital das Clínicas – FMSP):

... “transexualidade – ao contrário de um simples distúrbio de identidade de gênero – não é um fenômeno passageiro. Poderia antes ser descrito como “imutável na maioria das instâncias”. (É também extremamente raro que psicoses se apresentem como transexualidade aparente). O processo transexual – a jornada que começa com uma terapia e vestir-se como o outro sexo, passa por tratamento hormonal e termina em cirurgia – não é um capricho passageiro. É a busca consistente de integração física, emocional, social, espiritual e sexual, conquistada a enormes penas pessoais”... .(Neste livro também seguem vários exemplos).

Questão de escolha ou opção? Inclusão para todos ou não? As premissas para as exclusões deveriam ser as mesmas para todos os tipos de diferenças, de diversidades?

L.M.R. autodidata em inglês, cada vez mais fechado em seu escritorinho de frente para um computador, hoje seu único e mais próximo companheiro de integração ao universo, e também em frente ao seu vídeo game que por um lado é bem interativo, vinha dando mostras em suas conversas on line de sua extrema capacidade e desembaraço para línguas, assim, sem perder tempo, procurei uma escola conceituada de inglês em nossa Cidade, o que já estava programado ele indo ou não cursar o Ensino Médio, levando-o para um teste o qual iria mensurar seu conhecimento e para meu orgulho, o resultado foi positivo, diante da acolhida desta escola, que frise - se, desde o boleto da mensalidade até o tratamento para com ele, com normalidade e respeito o tratam por menina (com gestos e posturas carinhosas), sem constrangimentos, cientes sim da questão (conversamos bem sobre tudo no primeiro dia), e desde então quando lá pisamos da recepcionista até a direção pedagógica, nos sentimos bem, comuns e normais, integrados completamente no contexto e filosofia da escola, tanto filho como mãe: O teste revelou que, L.M.R. estava apto a cursar, Upper Intermediate, fez o Ul 1- em um mês no curso de férias – janeiro de 2010 - (com aprovação final de 93.00/100.00), e agora esta cursando o UI 2- e indo muito bem. Está procurando um curso bacana de Frances e pensando em enveredar para carreira de línguas focando o ensino para executivos (as), empresas e demais, tem recebido nosso total apoio para este investimento.

... “dentro de uma perspectiva de educação inclusiva, que os conhecimentos, habilidades e valores a serem alcançados pelos alunos com diferenças físicas devam ser integrados nas classes comuns onde as práticas educativas devem ser as mesmas propostos para os seus colegas, variando, todavia o apoio que cada aluno deve receber em função de suas peculiaridades e os critérios de aquisição que forem mais convenientes para serem considerados nos processos de avaliação educacional. Todos estes aspectos devem constar da proposta pedagógica de cada escola.

Os alunos que apresentarem condutas típicas serão avaliados em função de seus níveis de desenvolvimento geral e pessoal, considerados os conteúdos curriculares mínimos e, os níveis de competência social por eles alcançados ”... . Vejo este embasamento como um grande alicerce para as mudanças urgentemente começarem ocorrer em nossas escolas.

Acordem por favor, educadores, pais, filhos, alunos! Estamos em 2010, num momento em que estamos sendo testados pela força de Deus!

A.M.O.M.

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